Na decisão de 13 páginas, o presidente do TSE afirma que o pedido da campanha de Bolsonaro é “genérico” e que a acusação de fraude não tem “qualquer comprovação”. No despacho, o magistrado destaca que o levantamento da Audiency Brasil Tecnologia utilizou uma metodologia falha, “que não oferece as condições necessárias de segurança para as conclusões apontadas pelos autores”. “Isso não é uma forma de fazer política. Tudo isso temos notado não é de agora. Em certos locais que achava que ia bem, mas vimos que perdemos. Certamente as inserções de rádios fizeram a diferença. Não existe outro fator que a gente possa levar em conta neste momento. O presidente do TSE recebeu as provas no tempo hábil que nos cobrou. Nos surpreende o Moraes inverter o processo. De falar que gastamos o dinheiro do fundo partidário com empresas para fazer auditoria. No que depender de mim será contratada a terceira auditoria para verificar se as inserções foram potencializadas para o outro lado. Do nosso lado apareceu quase zero. Isso desequilibra o processo democrático”, diz.
Na noite de terça-feira, 25, a campanha de Bolsonaro entregou um relatório com detalhes da denúncia de que rádios deixaram de exibir inserções da propaganda eleitoral do mandatário do país. O pedido de detalhamento foi feito por Moraes, que determinou que a coligação do postulante do PL apresentasse “provas e/ou documentos sérios”. “Chegamos a conclusão, de forma técnica, que havia um desbalanço muito grande entre inserções do PL e do PT, para muito mais do PT”, explicou Bolsonaro. Inclusive, na terça-feira, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve pelo menos 154 mil inserções a mais em relação ao presidente. No documento apresentado à Corte Eleitoral, a campanha enviou um link ao TSE, em que lista as rádios e os horários das inserções. “Apresentamos provas contundentes dentro do prazo”, ressaltou Bolsonaro.
O presidente também aproveitou a coletiva para falar do servidor público Alexandre Gomes Machado, então responsável pelo recebimento e disponibilização de propagandas eleitorais de rádios e TV no sistema eletrônico da Corte Eleitoral, que foi exonerado do cargo. De acordo com o TSE, a exoneração foi motivada por “reiteradas práticas de assédio moral, inclusive por motivação política”. “O servidor foi sumariamente demitido. Ele era responsável por fazer a distribuição desses vídeos. Esse servidor nessa madrugada prestou depoimento a PF expondo seu ponto de vista e falando até que esse fato já havia acontecido há algum tempo. Repito, está comprovado a diferenciação e o tratamento ao outro candidato, que poderia ter participação dele em algum momento. Se o TSE não tinha nada a ver com isso, incompreensível a demissão do funcionário”, completou Bolsonaro.